Ouguela (Alentejo, Portugal) em baixo; Alburquerque (Badajoz, Espanha) ao fundo.

segunda-feira, 11 de dezembro de 2017

Um trecho de "Abraço" na Rua José Luís Peixoto



"Breve trabalho escolar em vídeo sobre a rua onde nasci e cresci (e que hoje tem o meu nome), com leitura feita por mim de excerto de "Abraço" (sobre os serões de verão à porta)"

Rua José Luís Peixoto

Vídeo de Maria Inês Martins. José Luís Peixoto lê um do texto "As distrações dos cachopos" do livro "Abraço".

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 O que é cachopo? Diz-nos a Infopédia: "1. rapaz, moço"



terça-feira, 5 de dezembro de 2017

A noite passada (Sérgio Godinho)



Uma bonita canção de Sérgio Godinho, uma presença habitual nestes anos no nosso blogue.

Temos pela frente uma bela ponte. Aproveitem-na (leiam, estudem, passeiem, divirtam-se...)


A NOITE PASSADA

A noite passada acordei com o teu beijo
descias o Douro e eu fui esperar-te ao Tejo
vinhas numa barca que não vi passar
corri pela margem até à beira do mar
até que te vi num castelo de areia
cantavas "sou gaivota e fui sereia"
ri-me de ti "então porque não voas?"
e então tu olhaste
depois sorriste
abriste a janela e voaste

A noite passada fui passear no mar
a viola irmã cuidou de me arrastar
chegado ao mar alto abriu-se em dois o mundo
olhei para baixo dormias lá no fundo
faltou-me o pé senti que me afundava
por entre as algas teu cabelo boiava
a lua cheia escureceu nas águas
e então falámos
e então dissemos
aqui vivemos muitos anos

A noite passada um paredão ruiu
pela fresta aberta o meu peito fugiu
estavas do outro lado a tricotar janelas
vias-me em segredo ao debruçar-te nelas
cheguei-me a ti disse baixinho "olá",
toquei-te no ombro e a marca ficou lá
o sol inteiro caiu entre os montes
e então olhaste
depois sorriste
disseste "ainda bem que voltaste"




A viagem, UMA viagem, BOA viagem...



Estamos a ver que não se pode dizer ou escrever "O meu viagem...", "O viagem que fiz...", "Bom viagem!"... como ainda teimam alguns alunos? Mais uma das palavras que mudam de género entre o português e o espanhol.

Parece que fica bem clarinho que viagem é uma palavra feminina em português. Ou não?














quinta-feira, 30 de novembro de 2017

Linha e ponto (António Torrado)



Esta mensagem, esta posta, foi publicada há tempo no blogue dos vossos colegas mais pequenos, mas tem piada, não tem?

Lembram-se de quando andavam no 1º ou no 2º ano...? Vocês já são "crescidos"..., mas isso foi há pouco tempo, não foi?


Umas "palavras andarilhas" de António Torrado, de quem nos diz a Wikipédia, entre outras coisas, o seguinte:

"... um dos autores mais importantes na literatura infantil portuguesa, possui uma obra bastante extensa e diversificada, que integra textos de raiz popular e tradicional, mas também poesia e sobretudo contos. Reconhece a importância fundamental da literatura infantil enquanto veículo de mensagens, elegendo como valores a promover a liberdade de expressão e o respeito pela diferença. António Torrado utiliza com frequência o humor em algumas das suas histórias."





quarta-feira, 29 de novembro de 2017

Não achas que...?



Um verbo muito importante em português: achar.

Achas que este filme é bom? Não achas que apanhaste sol a mais?, ou também O que achas destas calças que comprei ontem?

(2ª acepção da palavra na Infopédia:  julgar, considerar)





A primeira acepção é esta: encontrar alguém ou alguma coisa que se perdeu ou se desconhecia. Por exemplo: Achamos os amigos de longa data nas redes sociais. Ontem achei uma nota de vinte euros na rua.





terça-feira, 28 de novembro de 2017

Uma citação de Jean Cocteau

Christian Bérard, Jean Cocteau, 1928


Uma garrafa de vinho meio vazia está meio cheia. Mas uma meia mentira nunca será uma meia verdade.

Jean Cocteau, foi um poeta, romancista, cineasta, designer, dramaturgo, actor, e encenador de teatro francês.




segunda-feira, 27 de novembro de 2017

Os 17,20 m de Nelson Évora na Final de triplo salto de Belgrado (março 2017)


Esta informação sobre o atleta português Nelson Évora é de março deste ano, mas como estamos a falar de desportos no 3º ano, acho que vale a pena:

Incrível mas real: Nelson Évora de novo campeão no triplo salto

Triplista do Sporting renovou o título que conquistara em Praga e elevou para duas as medalhas de Portugal nos Europeus de pista coberta de Belgrado.
Luís Lopes
5 de Março de 2017

Nelson Évora contrariou as expectativas cépticas mais óbvias e voltou neste domingo a um título europeu indoor no triplo salto, na última jornada dos Campeonatos Europeus de Atletismo, realizada em Belgrado. Com um período pré-campeonatos sempre à procura da melhor forma, e com atletas a fazerem marcas notáveis na qualificação em solo sérvio, pareceria que o campeã olímpico de 2008 não teria as melhores hipóteses. Mas quem sabe nunca esquece e Évora acabou por arrancar mais um ceptro continental.

(Ler completo no Público)




Nelson Évora  (Abidjan, 1984) é um atleta português de origem cabo-verdiana. É especialista em triplo salto, embora também pratique salto em comprimento.

A sua página: Nelson Évora



quarta-feira, 22 de novembro de 2017

A expressão "dar jeito"



Lembram-se da expressão que lemos no livro quando duas amigas estavam a comprar roupa numa loja? "Está bem. Levo a carteira. Dá-me jeito."

Encontrei a frase em baixo por aí, e também o que podem ver lá em cima. Fica bem claro o significado (na nossa língua, "me viene bien").


"Ah, isto dá-me jeito" (#top5dasfrasesmaisouvidasnoIKEA)

Infopédia:

dar jeito ter utilidade, ser conveniente.




terça-feira, 21 de novembro de 2017

Calças à boca de sino

1971

"Na década de 1970 as calças sofreram bastantes alterações, uma vez que eram usadas coladas na altura das coxas e mais soltas na altura das canelas, no homem eram usadas assim como na mulher com o cós alto. Nesse período surgiram as calças boca de sino, que logo viraram febre no mundo inteiro" (Wikipédia)

Mas devem saber que as modas vão e vêm, e é por isso que hoje em dia podemos ver novamente estas calças.








E para homens, também...










segunda-feira, 20 de novembro de 2017

Cuidado com o "jersey" e o "abrigo"!








E a Infopédia diz-nos:

Casaco. Peça de vestuário com mangas que se usa como agasalho sobre a camisa, a camisola, o colete, o vestido, etc.

Sobretudo. Casaco de agasalho, largo e comprido, que se veste por cima do fato



sexta-feira, 17 de novembro de 2017

Sérgio Godinho e "O primeiro dia"



O que dizer do grande Sérgio Godinho?


O PRIMEIRO DIA

A princípio é simples, anda-se sozinho,
passa-se nas ruas bem devagarinho
está-se bem no silêncio e no burburinho
bebe-se as certezas num copo de vinho
e vem-nos à memória uma frase batida:
hoje é o primeiro dia do resto da tua vida!

Pouco a pouco o passo faz-se vagabundo
dá-se a volta ao medo e dá-se a volta ao mundo
diz-se do passado que está moribundo
bebe-se o alento num copo sem fundo
e vem-nos à memória uma frase batida:
hoje é o primeiro dia do resto da tua vida!

E é então que amigos nos oferecem leito,
entra-se cansado e sai-se refeito
luta-se por tudo o que se leva a peito
bebe-se e come-se se alguém nos diz bom proveito
e vem-nos à memória uma frase batida:
hoje é o primeiro dia do resto da tua vida!

Depois vêm cansaços e o corpo frequeja
olha-se para dentro e já pouco sobeja
pede-se o descanso por curto que seja,
apagam-se dúvidas num mar de cerveja
e vem-nos à memória uma frase batida:
hoje é o primeiro dia do resto da tua vida!

E enfim duma escolha faz-se um desafio
enfrenta-se a vida de fio a pavio
navega-se sem mar sem vela ou navio
bebe-se a coragem até dum copo vazio
e vem-nos à memória uma frase batida:
hoje é o primeiro dia do resto da tua vida!

Entretanto o tempo fez cinza da brasa
outra maré cheia virá da maré vaza
nasce um novo dia e no braço outra asa,
brinda-se aos amores com o vinho da casa
e vem-nos à memória uma frase batida:
hoje é o primeiro dia do resto da tua vida!


A versão do álbum Pano-Cru



Encosta-te a mim (Jorge Palma)



Um clássico português, Jorge Palma.


ENCOSTA-TE A MIM

Encosta-te a mim, nós já vivemos cem mil anos
encosta-te a mim, talvez eu esteja a exagerar
encosta-te a mim, dá cabo dos teus desenganos
não queiras ver quem eu não sou, deixa-me chegar.

Chegado da guerra, fiz tudo p´ra sobreviver
em nome da terra, no fundo p´ra te merecer
recebe-me bem, não desencantes os meus passos
faz de mim o teu herói, não quero adormecer.

Tudo o que eu vi, estou a partilhar contigo
o que não vivi, um dia hei-de inventar contigo
sei que não sei, às vezes, entender o teu olhar
mas quero-te bem, encosta-te a mim.

Encosta-te a mim, desatinamos tantas vezes
vizinha de mim, deixa ser meu o teu quintal
recebe esta pomba que não está armadilhada
foi comprada, foi roubada, seja como for.

Eu venho do nada porque arrasei o que não quis
em nome da estrada onde só quero ser feliz
enrosca-te a mim, vai desarmar a flor queimada
vai beijar o homem-bomba, quero adormecer.

Tudo o que eu vi, estou a partilhar contigo
o que não vivi, um dia hei-de inventar contigo
sei que não sei, às vezes entender o teu olhar
mas quero-te bem, encosta-te a mim.







quarta-feira, 15 de novembro de 2017

Os demonstrativos (variaveis e invariáveis)



Estão a ver com que demonstrativos variáveis devem ter mais atenção...?

Ah, e os invariáveis também podem ser usados com os advérbios de lugar:

O que é isto aqui?
Isso é meu.
Aquilo ali é teu? 



INVARIÁVEIS





terça-feira, 14 de novembro de 2017

Duas interpretações de Santa Morena, de Jacob do Bandolim



Música brasileira interpretada por Ricardo Araújo à guitarra portuguesa. Santa Morena foi composta por Jacob do Bandolim (1918 - 1959) nos anos 50 do passado século.

(Mas o som não me faz lembrar o som da guitarra portuguesa, não sei...)

E temos uma segunda interpretação pelo Trio Madeira Brasil.

Formação:
Ronaldo do Bandolim - bandolim
Zé Paulo Becker - violão e viola capira
Marcelo Gonçalvez - violão 7 cordas







quarta-feira, 8 de novembro de 2017

O ouvido absoluto de "Os três pequenos Mozart da rua Esperança"


Um artigo de María Martín no jornal espanhol El País na sua edição brasileira (3 de novembro de 2017):

Os três pequenos Mozart da rua Esperança
Três irmãos do Rio cultivam com dificuldade um talento raro: eles têm ouvido absoluto. É a habilidade de gênios como Mozart e identifica notas musicais com extrema facilidade

Quando o tio do doce chega com sua bicicleta à rua Esperança, num bairro humilde de Campo Grande, na zona oeste do Rio de Janeiro, ele toca uma buzina. Os vizinhos sabem então que é a hora do pão e do bolo e, com alguns trocados, saem disparados das suas casas. Para todos eles esse som não são mais do que o mais comuns dos “mec-mec!!”. Mas há três irmãos naquela rua que ouvem muito além desse aviso estridente. Para Alex, de 18 anos, Laís, de 16, e Pedro, de 12, aquele buzinaço é uma sequência de ré. Acontece também com a buzina do Fiat Palio do pai, que sempre toca em si. Ou com as possíveis frequências de uma caneta batendo num extintor de incêndios que também conseguem identificar. Nas melodias é ainda mais fácil. Até o caçula dos Santana é capaz de perceber quando quem toca ou canta não está na altura certa.

Os três meninos têm ouvido absoluto, uma habilidade rara que, segundo estudos científicos, aparece em um a cada 10.000 indivíduos. Quem a possui identifica as notas de quase qualquer som sem uma referência externa. Para eles, nomear uma nota é quase tão fácil como identificar uma cor, sem necessidade de recorrer a uma escala musical – ­ou cromática –­ para comparar. Com treinamento, alguém com ouvido absoluto é capaz de reproduzir notas, inclusive uma melodia, mesmo sendo a primeira vez que as escutam. Bach, Beethoven e Frank Sinatra tinham ouvido absoluto. Contam que Mozart que quando criança gritou “Sol sustenido!” ao ouvir o guincho de um porco.

Mas o ouvido absoluto não é uma capacidade natural de todos os grandes músicos. Muitos pagariam por tê-la. (...)

Os irmãos descobriram relativamente tarde esse valioso tesouro – o ideal é expor as crianças a atividades musicais antes dos oito anos. Foi um professor de música de uma escola municipal, Newton Motta, quem ficou surpreso com a habilidade de Alex de identificar notas. Naquela época, quatro anos atrás, o adolescente já arranhava algumas músicas no violão, mas sem ter estudado como. Anos depois, Pedro passou pela sua sala de aula e, sem saber que eram irmãos, o docente voltou a se surpreender com a capacidade do pequeno, uma criança doce e risonha. Depois, o maestro descobriu que Laís, uma adolescente que canta como se fosse soprano, também conseguia identificar notas sem ter nenhum conhecimento de teoria musical. Eles nunca erram. “Uma pessoa com ouvido relativo, como eu, é capaz de chegar à nota depois de muito estudo, mas nunca tem certeza. Eles têm”, explica o professor de música.

(...)

O artigo completo em El País.



segunda-feira, 6 de novembro de 2017

Ondas gigantes da Nazaré desde um drone (fevereiro 2017)



As enormes ondas que se formam na povoação portuguesa da Nazaré são famosas no mundo inteiro. Estas imagens são do mês de fevereiro deste ano. Vocês gostam de surf ou praticam...?

Agora, em novembro, chegam surfistas de toda a parte para procurar essa onda...










sexta-feira, 3 de novembro de 2017

"Eu confesso! A maior barraca que já dei no ar foi..." (Nuno Markl)



O que acham desta situação vivida por Nuno Markl quando ele começou a trabalhar a solo numa emissora de rádio? A certo momento dá para rir, mas que mau bocado ele passou!

Foi na minha primeira madrugada a solo na extinta Correio da Manhã Rádio. Eu ia assegurar os noticiários da noite assim que o Rui Vargas terminasse o programa dele. O Rui terminou o programa, eu fiquei sozinho no estúdio e, de repente, tive uma branca. Esqueci-me de tudo - TUDO! - o que me tinham explicado sobre o funcionamento da mesa. Silêncio na emissão. Eu sem ponta de saliva na boca, gelado. Felizmente o Rui Vargas ouviu a branca e voltou a correr. Quando ele entra no estúdio, estou eu de microfone aberto em estado de choque. A única coisa que me saiu da boca foi um trémulo "E AGORA?". Que foi para o ar. No dia seguinte, as pessoas da Rádio Nova, do Porto, que funcionava em cadeia com o CMR, ligaram para a direcção da rádio a dizer "aquele puto novo que faz as notícias de noite não é mau de todo, mas o que foi aquilo do E AGORA?".

(Fonte: Rádio Comercial)


Nuno Markl é um humorista, escritor, locutor de rádio, apresentador de televisão e argumentista português.

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Há muita coisa para aprender aqui. Reparem:

passar um mau bocado = "pasar un mal rato"

ter uma branca "quedarse en blanco"


Notas. Ajuda da Infopédia:

armar/dar barraca coloquial fazer disparates, fazer tolices, fazer escândalo.

puto
nome masculino

1. calão garoto; miúdo; catraio.
2. calão jovem; rapaz.
3. coloquial filho.




quinta-feira, 2 de novembro de 2017

quarta-feira, 1 de novembro de 2017

O que seria da vida sem a presença da morte?




Pois é...





Carpe diem



Carpe diem é uma frase em latim de um poema de Horácio (65 - 8 a.C.) e é popularmente traduzida para "colhe o dia" ou "aproveita o momento". É também utilizado como uma expressão para solicitar que se evite gastar o tempo com coisas inúteis ou como uma justificativa para o prazer imediato, sem medo do futuro.

dum loquimur, fugerit invida aetas: 
carpe diem quam minimum credula postero.

Enquanto estamos falando, terá fugido o tempo invejoso;
colhe o dia, quanto menos confia no de amanhã.

(Literalmente, esta frase significa Colhe o dia presente e sê o menos confiante possível no futuro.)


A expressão "carpe diem" aparece em destaque no filme "Clube dos Poetas Mortos", a lembrar às personagens - estudantes - que a vida é muito breve e deve ser vivida quotidianamente.

(Fonte: Infopédia)


Carpe diem, pois, rapazes e raparigas!






terça-feira, 31 de outubro de 2017

Origens do Dia das Bruxas

Fotografia de Teresa Teixeira


Dia das Bruxas (em inglês: Halloween, pronunciado /hæləʊˈiːn/, ou também /hæloʊˈiːn/) é uma celebração observada em vários países, principalmente no mundo anglófono, em 31 de outubro, véspera da festa cristã ocidental do Dia de Todos os Santos. Ela começa com a vigília de três dias do Allhallowtide, o tempo do ano litúrgico dedicado a lembrar os mortos, incluindo santos (hallows), mártires e todos os fiéis falecidos.

Acredita-se que muitas das tradições do Halloween originaram-se do antigo festival celta da colheita, o Samhain, e que esta festividade gaélica foi cristianizada pela Igreja primitiva. O Samhain e outras festas também podem ter tido raízes pagãs. Alguns, no entanto, apoiam a visão de que o Halloween começou independentemente do Samhain e tem raízes cristãs.

Entre as atividades de Halloween mais comuns, estão festas a fantasia, praticar "doce ou travessura", decorar a casa, fazer lanternas de abóbora, fogueiras, jogos de adivinhação, ir em atrações "assombradas", contar histórias assustadoras e assistir filmes de terror. Em muitas partes do mundo, as vigílias religiosas cristãs de Halloween, como frequentar os cultos da igreja e acender velas nos túmulos dos mortos, permanecem populares, embora em outros lugares seja uma celebração mais comercial e secular. Alguns cristãos historicamente se abstêm de carne no Dia das Bruxas.

 (Wikipédia)



Fotografia de Tiago Lourenço





"Infância", de Drummond, no Dia D

Carlos Drummond de Andrade (Foto: Stefan Rosenbauer)

O poeta brasileiro Carlos Drummond de Andrade nasceu em Itabira a 31 de outubro de 1902 e morreu no Rio de Janeiro em 1987. Há varios anos que no Brasil dedicam esse 31 de outubro a este poeta para o recordar, é o Dia D. Nós também recordamos Drummond de Andrade, vamos ler um poema dele e ouvi-lo na própria voz do poeta.


INFÂNCIA

Meu pai montava a cavalo, ia para o campo.
Minha mãe ficava sentada cosendo.
Meu irmão pequeno dormia.
Eu sozinho menino entre mangueiras
lia a história de Robinson Crusoé,
comprida história que não acaba mais.
No meio-dia branco de luz uma voz que aprendeu
a ninar nos longes da senzala – e nunca se esqueceu
chamava para o café.
Café preto que nem a preta velha
cafe gostoso
café bom.

Minha mãe ficava sentada cosendo
olhando para mim:
– Psiu... Não acorde o menino.
Para o berço onde pousou um mosquito.
E dava um suspiro... que fundo!

Lá longe meu pai campeava
no mato sem fim da fazenda.

E eu não sabia que minha história
era mais bonita que a de Robinson Crusoé.








segunda-feira, 30 de outubro de 2017

O Café Martinho da Arcada e Fernando Pessoa

À direita da fotografia, o poeta Fernando Pessoa


Diz-nos a Wikipédia que "O Café-Restaurante Martinho da Arcada, na Praça do Comércio, n.º 3, em Lisboa, Portugal, é o café mais antigo da cidade que se encontra actualmente em actividade. A sua história, de mais de dois séculos, está ligada à literatura portuguesa. Teria sido inaugurado pelo Marquês de Pombal, a 2 de Janeiro de 1782."

Fernando Pessoa foi um grande poeta português (1888 - 1935), autor de uma vasta obra publicada postumamente. "Enquanto poeta, escreveu sobre diversas personalidades – heterónimos, como Ricardo Reis, Álvaro de Campos e Alberto Caeiro –, sendo estes últimos objeto da maior parte dos estudos sobre a sua vida e obra."

Deixamos para outro dia a leitura de versos dos heterónimos. Este poema foi assinado por Fernando Pessoa ele-mesmo.


Tenho tanto sentimento
Que é frequente persuadir-me
De que sou sentimental,
Mas reconheço, ao medir-me,
Que tudo isso é pensamento,
Que não senti afinal.

Temos, todos que vivemos,
Uma vida que é vivida
E outra vida que é pensada,
E a única vida que temos
É essa que é dividida
Entre a verdadeira e a errada.

Qual porém é verdadeira
E qual errada, ninguém
Nos saberá explicar;
E vivemos de maneira
Que a vida que a gente tem
É a que tem que pensar.

18-9-1933








sexta-feira, 27 de outubro de 2017

Pretérito Imperfeito de IR e VER


Cuidado com o Pretérito Imperfeito dos verbos ir e ver em português. Atenção ao espanhol "traiçoeiro": nem "iba" ou "iva" (este último é um imposto!); e também não "veia"...

IR

Eu ia

Tu ias

Ele, ela ia

Nós íamos

Vocês iam

Eles, elas iam


VER

Eu via

Tu vias

Ele, ela via

Nós víamos

Vocês viam

Eles, elas viam 




quinta-feira, 26 de outubro de 2017

Uma quadra de Fernando Pessoa

Fotografia de Geórgia Gallas



Por muito que pense e pense
No que nunca me disseste,
Teu silêncio não convence.
Faltaste quando vieste.

Fernando Pessoa






O quarteto ou quadra é uma estrofe formada por quatro versos.



terça-feira, 24 de outubro de 2017

Roupa: vestuário

Faltam algumas peças e calçado... O que será fato de treino, sobretudo ou casaco comprido, sandália, chinelo...


O que é uma coudelaria?



Não sei se há muitos alunos na nossa escola que saibam montar a cavalo. Eu conheço uma aluna do 3º ano. É muito possivel que ela saiba o que é uma coudelaria e que tenha estado nesta, que fica perto de Vila-Viçosa, vila alentejana que fica a uns 57 km de Badajoz.


coudelaria

ko(w)dəlɐˈriɐ
nome feminino
2. estabelecimento de procriação e aperfeiçoamento das raças cavalares


segunda-feira, 23 de outubro de 2017

A sonhar com o quê?





Lucas Gehre



Pela palavra fofoca podemos saber que Lucas Gehre, o autor disto, é brasileiro.

O dicionário Priberam diz-nos:

Brasil popular mexerico; intriga; bisbilhotice.

E a palavra portuguesa mexericar, de onde provém mexerico, significa:

verbo transitivo
contar em segredo (alguma coisa), com o fim de comprometer alguém.

verbo intransitivo
1. falar sobre a vida alheia, geralmente com malícia, bisbilhotar, coscuvilhar.
2. fazer mexericos, armar enredos, intrigar.




sexta-feira, 20 de outubro de 2017

Tico-tico no fubá (Duo Siqueira Lima)



Mensagem dedicada para a Elena, da turma de 4º B, que toca viola.


O que é tico-tico? Vamos ver: em primeiro lugar, é um pássaro brasileiro:

O tico-tico (Zonotrichia capensis) é uma ave da ordem Passeriformes, família Emberizidae. Distingue-se pela sua coloração rajada de marrom, negro e cinza e pelo seu topete. Tem uma larga área de ocorrência nas Américas que vai da Terra do Fogo até o sul do México, evitando florestas densas. No Brasil também é conhecido como maria-judia, salta-caminhos e jesus-meu-deus.

[Reparem, o castanho de Portugal é marrom no Brasil]

(Wikipédia)


E, por outro lado, Tico-tico ou Tico-tico no Fubá é uma música, uma canção:

Tico-Tico no Fubá é um choro composto por Zequinha de Abreu. Ficou imortalizado na voz de Carmen Miranda, e com o tempo, tornou-se uma das canções brasileiras mais conhecidas do mundo.

(Wikipédia)

No que diz respeito a esta peça, quando interpretada à viola, é mais frequente ser interpretada a quatro mãos, como neste caso. Aqui, pode-se ver com uma só viola.


Um tico-tico na Wikimedia Commons



Um velho mapa de Portugal



Reparem que faltam no mapa as ilhas, os arquipélagos da Madeira e dos Açores. Só temos o que se chama Portugal continental.



(Blogue Santa nostalgia)



quinta-feira, 19 de outubro de 2017

O que acham do bouquet de flores desta noiva?



A cara dela diz-nos muita coisa! O autor é Quino. A situação da mulher na sociedade tem mudado muito ao longo destes anos, desde que Quino fez este desenho, mas ainda falta muito por mudar.





terça-feira, 17 de outubro de 2017

Planta do Bairro Alto de Lisboa




Alunos do 3º ano. Vamos rever as indicações para fazer que uma pessoa possa chegar a um ponto da cidade que não conhece.

Vamos fazê-lo com esta planta de um bonito bairro de Lisboa: o Bairro Alto.

Lembrem-se da importância das formas de tratamento e dos cumprimentos.

Tratamento informal
Olá, desculpa.
Sabes onde fica a rua...?
Podias dizer-me onde fica a rua...? / ... como posso chegar à rua...?

Tratamento formal
Bom dia/Boa tarde, desculpe.
Sabe onde fica a rua...? /
Podia dizer-me onde fica a rua...? / ... como posso chegar à rua..?




Insistimos: atenção ao pronome de CD de 3ª pessoa







Tudo isto é muito importante! Mas lembrem-se do que acontece quando palavras como não, nunca, também, ainda, os indefinidos, etc. aparecem antes do verbo: os pronomes são atraídos para a frente dele e não se produz modificação nenhuma dos pronomes.

Nós comemo-lo (o pão) mas Nós não o comemos.

Ela fá-lo (o trabalho) mas Ela também o faz.

Vocês regam-nas (as plantas) mas Vocês não as regam.

Eles dizem-no (isso) mas Alguns o dizem.



Como já vimos, a mudança da situação do pronome nestes casos também acontece quando a forma verbal termina em vogal ou em ditongo:


Eu comi-o (o bolo) mas Eu não o comi.

Eu visitei-as (as minhas amigas) mas  Eu não as visitei.