Ouguela (Alentejo, Portugal) em baixo; Alburquerque (Badajoz, Espanha) ao fundo.

sexta-feira, 20 de outubro de 2017

Um velho mapa de Portugal



Reparem que faltam no mapa as ilhas, os arquipélagos da Madeira e dos Açores. Só temos o que se chama Portugal continental.



(Blogue Santa nostalgia)



quinta-feira, 19 de outubro de 2017

O que acham do bouquet de flores desta noiva?



A cara dela diz-nos muita coisa! O autor é Quino. A situação da mulher na sociedade tem mudado muito ao longo destes anos, desde que Quino fez este desenho, mas ainda falta muito por mudar.





terça-feira, 17 de outubro de 2017

Planta do Bairro Alto de Lisboa




Alunos do 3º ano. Vamos rever as indicações para fazer que uma pessoa possa chegar a um ponto da cidade que não conhece.

Vamos fazê-lo com esta planta de um bonito bairro de Lisboa: o Bairro Alto.

Lembrem-se da importância das formas de tratamento e dos cumprimentos.

Tratamento informal
Olá, desculpa.
Sabes onde fica a rua...?
Podias dizer-me onde fica a rua...? / ... como posso chegar à rua...?

Tratamento formal
Bom dia/Boa tarde, desculpe.
Sabe onde fica a rua...? /
Podia dizer-me onde fica a rua...? / ... como posso chegar à rua..?




Insistimos: atenção ao pronome de CD de 3ª pessoa







Tudo isto é muito importante! Mas lembrem-se do que acontece quando palavras como não, nunca, também, ainda, os indefinidos, etc. aparecem antes do verbo: os pronomes são atraídos para a frente dele e não se produz modificação nenhuma dos pronomes.

Nós comemo-lo (o pão) mas Nós não o comemos.

Ela fá-lo (o trabalho) mas Ela também o faz.

Vocês regam-nas (as plantas) mas Vocês não as regam.

Eles dizem-no (isso) mas Alguns o dizem.



Como já vimos, a mudança da situação do pronome nestes casos também acontece quando a forma verbal termina em vogal ou em ditongo:


Eu comi-o (o bolo) mas Eu não o comi.

Eu visitei-as (as minhas amigas) mas  Eu não as visitei.




Os pronomes do complemento direto




Há algumas gralhas, mas serve.




segunda-feira, 16 de outubro de 2017

O Inferno de Dante em Portugal



Traduzo de inglês para português o texto de André Pipa  que acompanhava esta fotografia:

"Esta extraordinária fotografia foi tirada ontem, 15 de outubro, pelo bombeiro Hélio Madeiras em Vieira de Leiria (no centro de Portugal): um verdadeiro Inferno de Dante a aproximar-se. Havia mais de 400 incêndios em todo o País que vitimaram 32 pessoas, até agora".

_________________________________________________

Jornal Público

O que aconteceu no pior dia de incêndios do ano

Um resumo do que sabemos sobre o trágico domingo em Portugal.

Hugo Daniel Sousa e Lusa
16 de Outubro de 2017, 5:59 actualizada às 14:17

A Protecção Civil confirma 31 mortos neste domingo na sequência de incêndios (16 no distrito de Viseu, 12 no de Coimbra, dois no da Guarda e um no de Castelo Branco).  

Segundo a Protecção Civil, também se registaram dezenas de feridos. O Centro Hospitalar Tondela-Viseu recebeu 25 queimados nas últimas horas, tendo os 14 mais graves sido transferidos para as unidades do S. João, Prelada, Coimbra, Lisboa Norte e Lisboa Centro, disse o secretário de Estado Adjunto e da Saúde.

(...)

Só neste domingo registaram-se 523 incêndios. Foi o “pior dia do ano em matéria de incêndios”, disse a porta-voz da Protecção Civil. Portugal accionou neste domingo, devido aos incêndios florestais, o Mecanismo Europeu de Protecção Civil e o protocolo com Marrocos, relativos à utilização de meios aéreos; 

O Governo declarou calamidade pública nos distritos a norte do Tejo, para "criar melhores condições da mobilização de meios e, em particular, para assegurar aos bombeiros voluntários os seus direitos a participarem nesta missão, assegurando a justificação das faltas nos locais de trabalho e dois dias de descanso por cada um em que estiverem a participar no combate aos incêndios", explicou o primeiro-ministro;

(...)



Meninas gregas refugiadas a ler uma carta, em 1948 (David Seymour)



Uma fotografia de 1948 de umas meninas refugiadas da guerra civil na Grécia, que decorreu entre 1946 e 1949. Reparem nesses rostos. Umas vítimas, como acontece hoje em dia em tantas partes do mundo. Infelizmente, a história repete-se e com maior crueldade. É só ver as notícias na televisão ou nos jornais.

A fotografia é de um grande fotógrafo, David Seymour.



quarta-feira, 11 de outubro de 2017

Maria João Pires interpreta um Impromptu de Schubert



Esta mensagem vai dedicada para uma aluna nova na nossa escola, da turma de 3º A, a Melania, que toca piano. Com esta bela música, despeço-me de vocês até segunda-feira. Bom fim de semana prolongado, boa ponte!

Impromptu para piano em Sol bemol maior, D. 899/3 (Op. 90/3) de Franz Schubert, interpretado pela grande pianista portuguesa Maria João Pires. A gravação deste ábum foi realizada no Concertgebouw, na cidade neerlandesa de Haarlem, em 1996, e no Palácio de Queluz, em Portugal, em 1997.


Maria João Pires (1944) é uma pianista portuguesa, naturalizada brasileira em 2010 e residente no Brasil desde 2006.

(Wikipédia)





"Maria João Pires distinguida pelos prémios Gramophone" (11-09-2015)




Um desenho de Paula Rego







sexta-feira, 6 de outubro de 2017

Tanto (Aline Frazão)



A cantora angolana Aline Frazão interpreta a sua composição Tanto, acompanhada à viola. Apresenta-a em espanhol porque a gravação do vídeo foi feita no nosso país. Cá temos esta beleza para o fim de semana. Fica no ouvido, não fica?


TANTO

É tanta luz aqui que até parece claridade
É tanto amigo aqui que até parece que é verdade
É tanta coisa aqui que até parece não há custo

É tanta regra aqui que até parece um jogo justo
É tanto tempo aqui que até parece não há pressa
É tanta pressa aqui que até parece não há tempo
É tanto excesso aqui que até parece não há falta
É tanto muro aqui que até parece que é seguro

Tanto, tanto
Na embriaguez de encanto
É tanto "tanto faz"
Que ninguém sabe quem fez
Mundo gira mundo
Mundo vagabundo
Não olhe se não vês

É tanto pausa aqui que até parece não há esquema
É tanta história aqui que até parece um problema
É tanta festa aqui que até parece sexta-feira
É tanta dança aqui que até parece a das cadeiras
É tanto flash aqui que até parece que ilumina
É tanta frase aqui que até parece que resolve
É tanto ecrã aqui que até parece um grande evento
É tanta força aqui que até parece um movimento

É tanta coisa aqui que até parece não há custo
É tanta regra aqui que até parece um é jogo
É tanto excesso aqui que até parece não há falta
É tanto dano aqui que até parece ninguém nota

Tanto tanto
Na embriaguez de encanto
É tanto "tanto faz"
Que ninguém sabe quem fez
Mundo gira mundo
Mundo vagabundo
Não olhe se não vês


História da Jéssica


Encontrei numa velha revista este artigo em que uma menina de 13 anos, a Jéssica, falava dos problemas da vida dela e da ajuda que tinha recebido do projeto Bairrismundo. Hoje, evidentemente, a Jéssica é uma pessoa adulta. Espero que ela tenha tido sorte na vida.


O meu nome é Jéssica, tenho 13 anos e moro em Silves, no Bairro da Caixa D'Água. Eu vivo neste bairro há 8 anos e gosto muito de viver aqui, porque apesar de existirem alguns problemas, foi onde cresci com os meus amigos e onde vivi muitas das experiencias mais importantes e marcantes para mim. Conheço toda a gente aqui e existem sítios que serão para sempre muito especiais pois, apesar de ter sido sempre um bairro muito agitado e com má fama, foi aqui que vivi muitas coisas boas com os meus amigos... grandes descobertas e grandes desilusões.

Foi também neste bairro que passei por uma fase muito problemática da minha vida devido a uma crise familiar que durou algum tempo. Eu admiro muito a minha mãe porque ela foi muito corajosa e conseguiu dar a volta à crise pela qual passámos. Graças a ela, hoje em dia somos muito felizes, vivemos como uma verdadeira família, com amor e cumplicidade. Esse período mais complicado foi ultrapassado com o apoio do Projecto Bairrismundo. Através do apoio psicológico tive oportunidade de falar sobre mim e sobre todas as coisas que ainda não conseguia enfrentar e aceitar. Graças a esse apoio consegui esquecer o passado e esses velhos problemas e aprendi a lidar melhor com as minhas dificuldades e a confiar mais em mim e nas minhas capacidades.

O Bairrismundo foi um projecto que nasceu na Caixa D' Água e que veio mudar a vida do bairro e dos jovens que aqui moram, pois procura ajudar todas as pessoas que precisam. No Espaço Bairrismundo temos muitas actividades para ocuparmos os nossos tempos livres e que nos ajudam a ter melhores notas na escola. O Bairrismundo para mim é como uma segunda casa, onde posso estar com os meus amigos e onde passo a maior parte do tempo, quando não estou na Escola. Participo em todas as actividades que posso e sinto que o projecto me tem ajudado a aprender muitas coisas novas e a melhorar o meu comportamento com os outros. Através das actividades do projecto sinto que tenho crescido e ultrapassado algumas das dificuldades e medos que tinha.

Gosto muito de participar em actividades de intercâmbio com outros projectos, pois fico a conhecer pessoas novas e faço mais amizades. Estas actividades têm-me ajudado a ser mais desinibida e a relacionar-me mais facilmente com os outros jovens. Muitas vezes, não tenho vontade de participar porque acho que não vou gostar ou não me vou sentir bem, mas depois as professoras incentivam-me e no final acaba por ser muito "fixe"! O último intercambio em que participei foi com o Projecto Escola Intercool, que fica na Vila de Pias, no Alentejo. Primeiro organizámos em Silves algumas actividades para que eles pudessem conhecer um pouco mais sobre o nosso projecto, a nossa cidade e o Algarve. Depois fomos nós ao Alentejo onde eles nos receberam muito bem e ficamos a conhecer uma realidade muito diferente da nossa. Gostei muito dessa experiência. Foi muito divertido. No início, as actividades que menos gostei estavam ligadas à Escola, como o Clube de Leitura, a Oficina do Conto, as Acções de Sensibilização ou os trabalhos temáticos, mas, aos poucos, fui percebendo que são actividades onde podemos aprender muita coisa e que também podem ser muito divertidas.

Graças ao Projecto Bairrismundo e ao Programa Escolhas tenho tido a possibilidade de viver experiências super "fixes"!

Jéssica, 13 anos


E continua vivo o Projecto Bairrismundo






quinta-feira, 5 de outubro de 2017

"El arte del portugués Moita Macedo se expone en el Meiac"


El arte del portugués Moita Macedo se expone en el Meiac

REDACCIÓN HOY.ES
Domingo, 1 octubre 2017, 10:23

El Meiac ha inaugurado la exposición de pintura, dibujo y poesía del artista portugués Moita Macedo (1930-1983).

La muestra lleva por título O traço com que firo as minhas telas (El trazo con que hiero mis telas). El arte de Moita Macedo va y viene desde el texto hasta la imagen. Sus obras dan testimonio sobre su vida e ideología contraria a la dictadura de Salazar, en un claro momento de cambio para la sociedad portuguesa.

La exposición, que permanecerá abierta hasta el 30 de noviembre, ha sido realizada en colaboración con la Fundação Arpad Szenes-Vieira da Silva y bajo el comisariado de Fernando António Baptista Pereira.

La obra del artista luso se encuadra dentro de las tendencias informalistas que eran hegemónicas a mediados de los años sesenta en la escena artística internacional. Su obra, que tuvo como referentes a Almada Negreiros y a Arturo Bual, participó del momento que en Portugal hicieron suyo artistas como Vespeira, Fernando Azevedo, o João Vieira, cuando el discurso dominante se orientaba en la dirección marcada por el expresionismo abstracto.

(Hoy)













quarta-feira, 4 de outubro de 2017

TRAÇO – Festival de Desenho do Alentejo



Para todos aqueles alunos que gostam de desenhar... Aproveitem!


 O que é o TRAÇO – Festival de Desenho do Alentejo?

Evento temático sobre a Cultura do Desenho realizado em Elvas e Castelo de Vide de 13 a 21 de Outubro. Será uma semana intensa de workshops e master classes com artistas conceituados e rodeada de inúmeras exposições de Desenho e contará com a presença de vários desenhadores de qualidade e importantes nas várias áreas.

Desta forma, o Traço junta:

Design ;

Banda Desenhada;

Arquitectura;

Cinema de animação ;

Urban Sketching.



Pode consultar o programa em: https://traco.aiaradc.org


Trailer do TRAÇO17: https://youtu.be/yqmVcNPFzsM 



(Obrigado ao Kuski por partilhar a informação)



terça-feira, 3 de outubro de 2017

José de Guimarães


Na Unidade "O que vamos fazer?" que começámos a trabalhar com os alunos do 3º ano, vimos que se falava da pintura do artista plástico português José de Guimarães que aparece cá em cima, mas a reprodução era um bocado pequena. Aqui podem ver melhor e, para além desta, eis outros exemplos da sua obra para vocês terem uma ideia mais completa deste artista. (Mais pinturas e dados dele neste link)




 A domadora de crocodilos


Pesca submarina





José de Guimarães


Lembram-se do que dizia uma das raparigas do diálogo do livro? Dizia que as obras de Guimarães lhe faziam recordar as do pintor espanhol Joan Miró, que nasceu em Barcelona (1893-1983). Eis duas obras deste último para que vocês possam comparar.








quinta-feira, 28 de setembro de 2017

Ladaínha curta para excreção dos governos (Amadeu Baptista)



LADAINHA CURTA PARA EXCREÇÃO DOS GOVERNOS

Todos os ministros da saúde deveriam ser pacientes.
Todos os ministros da educação deveriam ser professores.
Todos os ministros da administração interna deveriam cumprir pena.
Todos os ministros dos negócios estrangeiros deveriam ser imigrantes.
Todos os ministros da justiça deveriam ser justos.
Todos os ministros da guerra deveriam carregar com as bombas.
Todos os ministros do comércio deveriam transaccionar rebuçados.
Todos os ministros da indústria deveriam sofrer a trepidação da máquina.
Todos os ministros da economia deveriam ser vagomestres.
Todos os ministros da cultura deveriam ser presidentes da sociedade protectora dos animais.
Todos os ministros do mar deveriam andar embarcados.
Todos os ministros da agricultura deviam ser coagidos a que lhes fosse vertida uma colher de óleo de amêndoa quente no ouvido direito.
Todos os ministros do ambiente deveriam ir a ares.
Todos os primeiros-ministros deveriam ser os últimos.
Quanto aos ministros das finanças, não há nada a fazer.
Todos os ministros das finanças são impostos.

Amadeu Baptista




sexta-feira, 22 de setembro de 2017

Ovelhas negras



Ovelha negra é uma expressão popular utilizada para representar a peculiaridade de uma pessoa que é diferente das outras, ou seja, que está fora dos padrões considerados normais pelo seu grupo social.

Geralmente, “ovelha negra” é utilizada em um sentido pejorativo, como alguém que é diferente, mas a partir de um ponto de vista negativo, pois não se enquadra nos padrões aceitos pela sociedade em que vive, seja por ter um comportamento imoral ou antiético.

É muito comum o uso da expressão “ovelha negra da família”, quando o comportamento e a personalidade de determinado membro familiar não condizem com os valores impostos por sua família.

(...)
Origem da expressão "Ovelha Negra"

A maioria das ovelhas são brancas e claras, porém, às vezes, ocorrem mutações genéticas responsáveis por fazer com que nasçam com a pelagem negra, destacando-se das demais.

É justamente a partir desta disparidade que a expressão surgiu. De acordo com as histórias dos pastoreios, geralmente a ovelha que nascia preta era aquela que não acompanhava os outros animais, era mais difícil cuidá-la e tratá-la.

Mesmo cuidando tão bem de todas, muitas vezes o pastor não conseguia evitar que ela se tornasse diferente, então a chamavam de “ovelha negra”.

Portanto, os pastores e fazendeiros preferiam sempre as ovelhas brancas, porque a lã branca podia ser tingida e o animal tinha maior valor de mercado.


(Fonte: aqui)




segunda-feira, 18 de setembro de 2017

Portugal em 150 segundos - Elvas



A vizinha cidade de Elvas. Vocês terão estado lá muitas vezes com os pais, mas conhecem bem? De certeza que nunca a viram desta maneira.




sexta-feira, 15 de setembro de 2017

Bem-vindos todos ao ano letivo 2017-2018!



O que acontece com o tempo? Passa, nunca deixa de o fazer e aqui estamos mais uma vez, num novo início do ano letivo.

Desta vez é o ano 2017-2018 e recebemo-lo com Baiana, música de Leandro Roque de Oliveira, mais conhecido pelo nome artístico Emicida, que é um rapper e produtor musical brasileiro, considerado uma das maiores revelações do hip hop do Brasil nos últimos anos.

(Wikipédia)




Chance: no português de Portugal, oportunidade.


Os baianos são os nascidos no estado brasileiro da Baia.






segunda-feira, 19 de junho de 2017

Boas férias grandes para todos!

Virginia Mori


É mais fácil e alegre e agradável despedir-se com música! Chegou o final deste ano letivo 2016-17 e nem tivemos tempo de nos despedir!

Fica aqui a despedida, meus caros alunos. Boas férias grandes para todos e tentem arranjar momentos para a leitura, esses bons momentos. Aproveitem o tempo, que foge mesmo...

A música tem 10 anos (já passaram dez anos, nem posso aceditar!😃), mas as boas canções estão tão vivas como esta dos Tribalistas (Marisa Monte, Arnaldo Antunes e Carlinhos Brown): Já sei namorar. Vamos lá cantar com eles!






quinta-feira, 15 de junho de 2017

Saramago e a criança que foi



Quero é recuperar, saber, reinventar a criança que eu fui. Pode parecer uma coisa um pouco tonta: um senhor nesta idade estar a pensar na criança que foi. Mas eu acho que o pai da pessoa que eu sou é essa criança que eu fui. Há o pai biológico, e a mãe biológica, mas eu diria que o pai espiritual do homem que sou é a criança que fui.

(Público, Lisboa, 14 de Outubro de 1998)






terça-feira, 13 de junho de 2017

Para ser grande, sê inteiro: nada (Pessoa / Reis)




Para ser grande, sê inteiro: nada
Teu exagera ou exclui.
Sê todo em cada coisa. Põe quanto és
No mínimo que fazes.
Assim em cada lago a lua toda
Brilha, porque alta vive.

14-2-1933

Ricardo Reis , heterónimo de Fernando Pessoa




Pequeno vídeo de um excerto do poema "Para ser grande" de Ricardo Reis (Fernando Pessoa) animado com recurso à técnica Stop Motion . Projecto desenvolvido no âmbito de uma UC da Pós Graduação em Tecnologias da Comunicação e Inovação Empresarial (ISCAP 2012).




segunda-feira, 12 de junho de 2017

Uma casa de Eduardo Souto Moura no Porto



Eduardo Souto de Moura (Porto, 1952) é um arquitecto português.

(...) É um dos expoentes máximos da chamada Escola do Porto,vencedor do Prémio Pritzker em 2011. (...)


(Wikipédia)



quinta-feira, 8 de junho de 2017

O Dia de Portugal deste ano celebrado no Porto e no Brasil

O Presidente da República e o Primeiro Ministro portugueses
em Paris no passado 10 de Junho (Foto: Paulo Novais/Lusa)




Governo quer celebrar 10 de junho de 2017 no Porto e no Brasil

Dando continuidade à tradição inaugurada em 2016, com Paris, Executivo estará a preparar-se para levar 10 de junho ao Rio de Janeiro e São Paulo

O Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas vai celebrar-se no Porto, Rio de Janeiro e São Paulo em 2017. A notícia é avançada este sábado pelo jornal Público, que acrescenta que a festa vai beneficiar da diferença horária para começar em Portugal e terminar no Brasil.

Tal como aconteceu este ano, em Paris, o primeiro-ministro vai acompanhar o Presidente da República nas celebrações. Em 2016, o 10 de junho assinalou-se pela primeira vez fora do país, por iniciativa de Marcelo Rebelo de Sousa (...)

Notícia completa no Diário de Notícias (07-06-2017)


Pela nossa parte, acrescentamos que já em 2013, o Dia de Portugal foi celebrado na Extremadura pela primeira vez, como se pode ler aqui:

"Extremadura celebrará por primera vez el Día de Portugal"

(7 Días Extremadura, 03 de junio de 2013)




quarta-feira, 7 de junho de 2017

"Extremadura celebrará el Día de Portugal con actos culturales en muchas localidades"





Extremadura celebrará el Día de Portugal con actos culturales en muchas localidades.

Extremadura celebrará el próximo sábado 10 el Día de Portugal, de Camões y de las Comunidades Portuguesas con el desarrollo en varias localidades de numerosas actividades relacionadas con la música, el arte, la literatura, el cine, la gastronomía y la artesanía lusos.

Son actos que han sido coordinados por su Dirección General de Acción Exterior.

(...)

La noticia completa en eldiario.es (6-6-2019)


Toda la programación del Día de Portugal en Extremadura puede consultarse en la web http://www.euro-ace.eu/.




"É hora de arraial: estas são as Festas de Lisboa"



Como esta notícia foi publicada a 23 de maio, será preciso dizer que as Festas de Lisboa arrancaram a 1 de junho...


É hora de arraial: estas são as Festas de Lisboa

A 1 de junho arrancam as Festas de Lisboa. O programa desta ano inclui muitas iniciativas que prometem encher a cidade de música. Fique a conhecer os arraiais que se vão espalhar pela capital.

No mês de junho, a cidade de Lisboa transforma-se numa grande festa para celebrar o santo favorito de todos os lisboetas — Santo António. Surge um arraial em cada esquina e o cheiro a sardinha assada invade as ruas. As marchas desfilam pela Avenida da Liberdade, a música entra pelas casas e há um manjerico em cada varanda. Este ano não será diferente e não faltarão iniciativas e eventos para manter os lisboetas entretidos em junho.

Lisboa é, em 2017, a Capital Ibero-americana da Cultura e, por essa razão, este ano o desafio passou por procurar “potenciar cruzamentos e descobertas mútuas, cujos efeitos sejam visíveis para lá do período delimitado no calendário”, explicou a EGEAC, organizadora das Festas de Lisboa no programa oficial. “Atentos à diversidade do universo latino-americano e das diásporas que residem em Lisboa”, a programação, “multidisciplinar e democrática”, procurou por isso fundir diferentes sons e realidades, sem nunca esquecer a verdadeira identidade das Festas de Lisboa.

(...)

A notícia completa no Observador (23-05-2017)





sexta-feira, 2 de junho de 2017

O que dizem os abraços (José Luís Peixoto)



Juntar as pontas dos ombros e dar algumas palmadinhas nas costas não é um abraço. Escrever "abraço" no fim de um e-mail também não é um abraço. Indiferente ao desenvolvimento social e tecnológico, um abraço continua a ser duas pessoas que se juntam e se apertam uma de encontro à outra.

Esses rapazes que aparecem com cartazes a oferecerem abraços nos festivais de verão têm graça e talvez sejam bem-intencionados, mas fazem publicidade enganosa. Não são os abraços que provocam as ligações, são as ligações que provocam os abraços. Um abraço não é apenas duas pessoas que se juntam e se apertam uma de encontro à outra.

Um abraço tem muita importância.

Quando eu era uma criança, teria talvez uns nove ou dez anos, o meu pai deu-me um abraço na cozinha da nossa casa. Era de madrugada porque essa era a hora em que, naquele tempo, se saía da minha terra quando se ia para Lisboa. O meu pai tinha uma operação marcada no hospital, estava vestido com as roupas novas e tinha medo. Enquanto me abraçava, o meu pai chorou porque, durante um momento, acreditou que podia nunca mais me ver. Os braços do meu pai passavam-me pelos ombros, a minha cabeça assentava-lhe na barriga, sobre o pullover. A lâmpada que tínhamos acesa por cima da cabeça espalhava uma luz que amarelecia tudo o que tocava: a mesa onde jantávamos todos os dias, o ar que ali respirámos em tantas horas anteriores àquela, em tantas horas ignorantes daquela. O meu pai usava um aftershave muito enjoativo, barato, que alguém lhe tinha oferecido no Natal. Agora mesmo, consigo ainda sentir esse cheiro com nitidez absoluta.

A operação correu bem. Depois do susto, depois da convalescença, o meu pai voltou para casa com uma cicatriz grossa e roxa na barriga, ficava à vista quando a camisa lhe saía para fora das calças ou na praia, apesar de usar os calções exageradamente puxados para cima. Depois disso, tivemos direito a nove anos em que não voltámos a pensar em despedidas.s

Durante muito tempo procurei em toda a minha memória: as lembranças de quando regressou da operação ou, depois, quando tínhamos a mesma altura ou, mesmo depois, quando ficou doente pela última vez. Mas abandonei as buscas, não consigo recordar outra ocasião em que nos tenhamos voltado a abraçar. Essa madrugada na cozinha, a luz amarela, o aftershave, foi a única vez em que nos abraçámos na vida.

Não afirmo com leveza que um abraço tem muita importância. Há quinze anos que escrevo livros apenas sobre esse abraço.


José Luís Peixoto, in Notícias Magazine, 22 de novembro de 2015



quinta-feira, 1 de junho de 2017

O exame (Franz Kafka)

Um joven Franz Kafka


O Exame

Sou um criado, mas não há trabalho para mim. Sou medroso e não me ponho em evidência; nem sequer me coloco em fila com os outros, mas isto é apenas uma das causas de minha falta de ocupação; também é possível que minha falta de ocupação nada tenha a ver com isso; o mais importante é, em todo caso, que não sou chamado a prestar serviço; outros foram chamados e não fizeram melhor trabalho do que eu; e talvez nem mesmo tenham tido alguma vez o desejo de serem chamados, enquanto que eu o senti, às vezes, muito intensamente.

Assim permaneço, pois, no catre, no quarto de criados, o olhar fixo nas vigas do teto, durmo, desperto e, em seguida, torno a adormecer. Às vezes cruzo até a taverna onde servem cerveja azeda; algumas vezes por desfastio emborquei um copo, mas depois volto a beber. Gosto de sentar-me ali porque, atrás da pequena janela fechada e sem que ninguém me descubra, posso olhar as janelas de nossa casa. Não se vê grande coisa; sobre a rua, dão, segundo creio, apenas as janelas dos corredores, e além do mais, não daqueles que conduzem aos aposentos dos senhores; é possível também que eu me engane; alguém o sustentou certa vez, sem que eu lho perguntasse, e a impressão que se colhe, ao olhar para a fachada, assim o confirma. Apenas de vez em quando são abertas as janelas, e, quando isso acontece, é um criado que as abre, o qual, então, se inclina também sobre o parapeito para olhar para baixo um instantinho. São, pois, corredores onde não se pode ser surpreendido. Além do mais não conheço esses criados; os que são ocupados permanentemente na parte de cima, dormem em outro lugar; não no meu quarto.

Uma vez, ao chegar à hospedaria, um hóspede ocupava já o meu posto de observação; não me atrevi a olhar diretamente para onde ele estava a olhar e quis voltar-me sair pela porta, em seguida. Mas o hóspede chamou-me e, assim, então, percebi que era também um criado, que eu já tinha visto em qualquer parte, embora nunca tenha falado com ele.

- Por que queres fugir? Senta-te aqui e bebe. Eu pago.

Sentei-me, pois. Perguntou-me algo, mas não pude responder-lhe; não compreendia sequer as perguntas. Pelo menos eu disse:

- Talvez agora te aborreça o fato de me teres convidado. Vou-me, pois.

E quis erguer-me. Mas ele estendeu a mão por cima da mesa e manteve-me no meu lugar.

- Fica aí, disse. Isto era apenas um exame. Aquele que não responder às perguntas está aprovado no exame.

Franz Kafka



Franz Kafka (1883 - 1924)2 foi um dos maiores escritores de ficção do século XX. Kafka era de origem judaica, nasceu em Praga, Áustria-Hungria (atual República Checa), e escrevia em língua alemã. O conjunto de seus textos — na maioria incompletos e publicados postumamente —  situa-se entre os mais influentes da literatura ocidental





A camisa do homem feliz



Antes de começar a ler esta história, de que há diferentes versões, devem saber que a camisa de que aqui se fala era diferente da usada hoje em dia. Era uma peça de roupa interior.


A camisa do homem feliz

Certo rei, embora rico e poderoso, sentia-se muito infeliz. Como os melhores médicos do tempo não descobriram a razão, mandou chamar à sua presença o feiticeiro da corte e perguntou-lhe qual a maneira de pôr fim à sua desdita.

E como a situação era assaz complexa, o feiticeiro reuniu-se com colegas do mesmo ofício e fizeram


sacrifícios aos deuses bárbaros, em que acreditavam. Depois de muito meditarem, disseram ao Monarca:

― Senhor, se quereis ser feliz, deixai o reino e ide por esse Mundo, em busca de um homem verdadeiramente feliz que aceite ceder-vos a própria camisa. Só, então, Vossa Majestade deixará de se sentir infeliz.

E o rei partiu. Correu as sete partidas do Mundo, entrou em palácios reais e em choupanas humildes. Por toda a parte, ouvia queixumes, via correr lágrimas e sentia a presença inexorável da desgraça.

Regressava já, mais triste e desanimado, quando, num campo vizinho das fronteiras do seu reino, ouviu uma voz cantando alegremente.

Correu entusiasmado e deparou-se-lhe um pobre camponês que ceifava o centeio que havia de ser o pão da sua casa.

― Estás contente, bom homem?

― Pois não hei-de estar, Senhor, se tenho bons braços para trabalhar a terra que me sustenta e aos meus?!

― És, então, completamente feliz?

― Completamente feliz, meu Senhor.

― Pois poderás conhecer ainda maior felicidade, se me deres a tua camisa em troca de dinheiro e de muitas terras maiores e mais férteis do que esta, que te dá pouco centeio.

O campónio deitou para trás o barrete que trazia na cabeça, limpou o suor que lhe encharcava a testa e, após longa gargalhada, respondeu:

― É impossível o que me pedes, Senhor. Eu nunca tive camisa.




quarta-feira, 31 de maio de 2017

Paulo Ito desenha e pinta assim



Paulo Ito nasceu em São Paulo em 1978, Ele mesmo diz que quando tinha 3 anos começou a desenhar e nunca mais parou. Reparem um bocado.

A última fotografia foi tirada na Casa da Cultura de Espanha dessa cidade brasileira.