Ouguela (Alentejo, Portugal) em baixo; Alburquerque (Badajoz, Espanha) ao fundo.

terça-feira, 22 de maio de 2018

Uma palavra muito importante: amizade


A amizade é o elo invisível que nos une a algumas pessoas bem chegadas, um vínculo muito especial, uma das palavras mais bonitas em qualquer língua: amizade, amistad, amistat, amicizia, amitiéfriendship, Freundschaft...


Amizade é o título desta fotografia de Su Ferraz



segunda-feira, 21 de maio de 2018

Samuel fala de quando ele era pequeno

Salinas e a cidade de Aveiro ao fundo



Por volta dos meus 10 anos de idade tornei-me um miúdo estranho. A conversa da igreja do meu pai começou a entrar-me por um ouvido e a sair pelo outro; na escola primária, embora com a sorte de ter um professor fantástico, aprendia mais de História desviando-me do caminho normal para casa e passando belos pedaços de tarde com um velho sapateiro que contava as façanhas, virtudes e vergonhas de reis, rainhas, soldados e seus derivados, como se as tivesse vivido; na aldeia perto de Aveiro, em Ouca, onde por mim viveria sempre, aprendia sobre agricultura servindo de peso à grade de arar o campo de milho, vindimando, apanhando batatas (estragando muitas...); aprendia sobre o vinho pisando as uvas no lagar; aprendia sobre o pão passando noites em claro a “trabalhar” (dizia eu) na padaria do pai das minhas primas (pão para toda a aldeia e mais algum, tudo amassado à mão, forno de lenha), o grande primo António, um manancial de estórias que só paravam de desfilar de manhã... ou quando eu, depois de três dias sem dormir, “entrava em coma” em cima dos sacos de farinha; aprendia sobre ferro e fogo e tudo o mais que viesse à conversa, com o outro António, este, o senhor António, vizinho da frente da casa da aldeia, ferreiro, ferrador, um artista na forja e a “calçar” de novo juntas de bois, cavalos... e também grande “filosofador”, bastando a minha disponibilidade para accionar a alavanca do enorme fole da forja para ter conquistado a sua simpatia.

Todos suportavam estoicamente as minhas intermináveis perguntas e faziam de conta que admiravam os meus modernos e citadinos conhecimentos académicos, revistos e aumentados ano após ano.

Foi assim que aprendi a ver para lá do postal ilustrado da vida do campo e das profissões em vias de extinção. Ver o lado menos pitoresco, o lado do tremendo esforço, do sofrimento, dos bebés transportados em canastras, à cabeça, por mães operárias a caminho das fábricas de ferragens, pedalando nas suas bicicletas (que espectáculo! - dizia quem passava), do desespero das cheias do campo de Águeda (uma aventura para a garotada) que destruiam todo o milho de um ano de trabalho, do luto eterno dos pescadores da Vagueira e de Ílhavo. Foi assim que fiquei a conhecer o inferno por detrás da coisa mais bela que enfeitava o caminho que fazia para chegar à Costa Nova do Prado, as resplandecentes salinas de Aveiro, onde toneladas de mar eram transformadas em sal, que ia alimentar os porões dos barcos que partiam para a faina do bacalhau... e regressava, meses depois, impregnado nos milhares e milhares de grandes peixes que ficavam ali, esparramados a secar ao sol, em “estendais” intermináveis, Gafanha após Gafanha...

Samuel, no seu blogue Cantigueiro




quinta-feira, 17 de maio de 2018

Uns ótimos autorretratos de alunos do 10º ano

Colégio Luso-Francês do Porto



Acho que todos sabem que o 10º ano português  equivale ao 4º ano da ESO. Seriam capazes de fazer um autorretrato de vocês próprios como fazem a Íris, a Isabel e o Diogo? Até em verso!


Diria que o que mais me caracteriza é o meu rosto, daí que seja dele que parte o meu auto-retrato.

Olho-me ao espelho e fixo os meus olhos, tão profundos e escuros, tão atentos, que quase fazem esquecer a testa de um palmo de altura, onde vivem a expressividade e as suas marcas.

Desço. Um nariz bem pequeno, equilibrado e pontuado pelo sinal que mora bem no seu centro. Mais perfeccionista? Complicado... As bochechas de tez morena desfazem-se na boca. Essa, lá em baixo, é enérgica, pequena, avermelhada, nada espessa. Ah! O sorriso não desenha covinhas, o que é um infortúnio...

O cabelo, comprido, é uma tela de castanhos que vai ocultando a testa com a sua franja, muito escalado e irritado com a ondulação.

Sobrancelhas arqueadas e escuras, pestanas grandes e certas, maçãs do rosto que nada confessam: esses são os toques finais.

O meu nome? Íris, de alma e coração.

Íris Vasquez, 10ºC



Olhar sincero, apaziguador
Vejo assim o mundo, sorrindo.
Pele morena, cabelo sonhador,
Rio, sorrio e vou persistindo.

Na vida que me faz caminhar,
Rosto redondo, amante do Mundo
Que me enche o suave olhar,
Nariz pequeno, expressivo, profundo.

Orelhas despercebidas, sobrancelhas arqueadas,
Lábios finos, repletos de mimo,
Maçãs do rosto rosadas

Sonho e amo a vida
Sempre com sabor a mel...
Na vida e na morte assim sou: Isabel!

Isabel Sousa, 10ºC



Cabelos pretos e lisos,
Nariz pequeno e proporcional,
Testa franzida em três pisos,
Personalidade deveras emocional.

Olhos azuis, verdes ou cinzentos,
Sorriso sincero e atraente,
Lábios carnudos que causam lamentos,
Será razão destes tormentos?

Postura calma, transpirando concentração,
Olhar enigmático mas intenso,
Transmitindo dedicação.

Coração azul, ritmado,
Ondas, sol e amigos o mantêm animado.
Mas poderá por isso ser condenado?

Diogo Banha, 10ºC


(Fonte: Lusografias)




quarta-feira, 16 de maio de 2018

Fernando Pessoa - Para viajar basta existir



Eis um trecho do semi-heterónimo pessoano Bernardo Soares, retirado do Livro do Desassossego. De certeza, que vocês não concordarão com estas palavras, por enquanto. É preciso refletir. Sabe-se lá algum dia...


Viajar? Para viajar basta existir. Vou de dia para dia, como de estação para estação, no comboio do meu corpo, ou do meu destino, debruçado sobre as ruas e as praças, sobre os gestos e os rostos, sempre iguais e sempre diferentes, como, afinal, as paisagens são.

Se imagino, vejo. Que mais faço eu se viajo? Só a fraqueza extrema da imaginação justifica que se tenha que deslocar para sentir.

«Qualquer estrada, esta mesma estrada de Entepfuhl, te levará até ao fim do mundo.» Mas o fim do mundo, desde que o mundo se consumou dando-lhe a volta, é o mesmo Entepfuhl de onde se partiu. Na realidade, o fim do mundo, como o princípio, é o nosso conceito do mundo. É em nós que as paisagens têm paisagem. Por isso, se as imagino, as crio; se as crio, são; se são, vejo-as como às outras. Para quê viajar? Em Madrid, em Berlim, na Pérsia, na China, nos Pólos ambos, onde estaria eu senão em mim mesmo, e no tipo e género das minhas sensações?

A vida é o que fazemos dela. As viagens são os viajantes. O que vemos, não é o que vemos, senão o que somos.




Breve (Alexandre O'Neill)

Alexandre O'Neill



BREVE

Bom, diz ele,
Dia!, diz ela.

Vamos?, diz ele,
Não!, diz ela.

Que há?, diz ele,
Nada!, diz ela.

Então, diz ele,
Adeus!, diz ela.

Alexandre O'Neill



Mais humor de O'Neill, "Problema" e "Assim era Alexandre O'Neill"






segunda-feira, 14 de maio de 2018

Saltamos da Ponte Dom Luís para o Douro?



Desporto de risco? Vocês saltavam? Se não apreciam a altura de onde estes jovens vão saltar para as aguas do rio Douro, reparem na fotografia. A altura do tabuleiro inferior da ponte, de onde saltam estes jovens, é de 25 m; a altura do tabuleiro superior é de mais de 40 m.




A Ponte Luís I ou Luiz I, popularmente também chamada Ponte D. Luís, é uma ponte em estrutura metálica com dois tabuleiros, construída entre os anos 1881 e 1888, ligando as cidades do Porto e Vila Nova de Gaia (margem norte e sul, respectivamente) separadas pelo rio Douro, em Portugal.

Esta construção veio substituir a antiga ponte pênsil que existia no mesmo local e foi realizada mediante o projecto do engenheiro belga Théophile Seyrig, que já tinha colaborado anteriormente com Gustave Eiffel na construção da ponte Maria Pia, ferroviária.

A ponte foi inaugurada em 1886 (tabuleiro superior) e 1888 (tabuleiro inferior e entrada em total funcionamento)

(Wikipédia)



quinta-feira, 10 de maio de 2018

Fenómeno (Remedios Varo)



Fenómeno (1962) é o título desta obra da pintora surrealista espanhola Remedios Varo (1908 - 1963)





quarta-feira, 9 de maio de 2018

Estou tão cansada, tão..., como se diz...?


... tão estafada..., lá isso é, estafada!


Lemos na Infopédia:

estafado

2. extremamente cansado; exausto, extenuado



" Quero dar-te a coisa mais pequenina que houver..." (Rosa Lobato de Faria)

Fotografia de LTJcake



Quero dar-te a coisa mais pequenina que houver
bago de arroz
grão de areia
semente de linho
suspiro de pássaro
pedra de sal
som de regato
a coisa mais pequena do mundo...
a sombra do meu nome
o peso do meu coração na tua pele.

Rosa Lobato de Faria


Atriz e escritora, Rosa Lobato de Faria (1932 - 2010) nasceu em Lisboa, no seio de uma família originária da Índia Portuguesa, com raízes aristocratas.